O ecossistema de negócios contemporâneo desenvolveu uma obsessão perigosa por narrativas. No tribunal estético das redes sociais, o empreendedorismo é frequentemente envelopado em fórmulas fáceis de sucesso, palcos iluminados e jargões corporativos vazios. Mas deixa eu te contar uma verdade nua e crua dos bastidores do PIB: quando as luzes do palco se apagam e a realidade macroeconômica global cobra o seu preço, as narrativas evaporam. O que sobra são as estruturas.
Eu não construo narrativas. Eu construo estruturas.
Como CEO do Grupo International e representante legal de mais de 29 investidores estrangeiros no Brasil, minha rotina não é moldada pelo romantismo dos negócios. Ela é ditada pela exatidão milimétrica da governança, pela conformidade fiscal rigorosa e pelo peso invisível de tomar decisões que impactam diretamente holdings, multinacionais e fundos de investimento que operam em dezenas de países. Operar nessa altitude do mercado me trouxe uma clareza desconfortável: o topo do mundo corporativo ainda é um ambiente de profunda solidão para as mulheres. E para nós, a única moeda que compra o direito de permanência e voz à mesa é o resultado inquestionável.
O preço do pioneirismo e a quebra de paradigmas técnicos
Quando decidi, em meados de 2018, desmistificar o mercado de internacionalização e estruturação de offshores sob a ótica da estrita segurança jurídica, o maior desafio não foi a complexidade das regras tributárias ou a burocracia das câmaras de comércio internacionais. Foi o ceticismo estrutural do mercado.
Assumia-se, por padrão, que uma mulher não deveria estar ditando as regras de proteção patrimonial, inteligência fiscal e representação jurídica para grandes grupos econômicos. O universo do Wealth Management e da estruturação societária internacional sempre foi um clube historicamente masculino e fechado. Romper essa barreira exigiu mais do que resiliência emocional; exigiu soberania técnica.
Para conquistar a total confiança de fundos globais que injetam capital estrangeiro no Brasil, precisei entender que a liderança corporativa de alto nível exige ir muito além do soft power. Empatia, escuta ativa e comunicação constroem comunidades e alinham equipes, mas são os hard skills a gestão rigorosa de riscos, o entendimento profundo de contabilidade internacional, a blindagem patrimonial estratégica e a leitura fria de cenários geopolíticos que salvaguardam empresas em tempos de tempestade econômica.
A urgência da governança em cenários de volatilidade extrema
Olhando para o cenário econômico atual, fica evidente que a volatilidade não é mais uma crise passageira, mas sim o novo normal operacional. Diante de reformas tributárias profundas, flutuações cambiais severas e incertezas fiscais, a governança corporativa e o planejamento sucessório deixaram de ser meras ferramentas de compliance ou luxos burocráticos. Eles se tornaram estratégias de sobrevivência e perenidade.
O papel de uma holding patrimonial segura ou de uma estrutura internacionalizada não é ocultar ativos, como o senso comum erroneamente propaga, mas sim garantir a previsibilidade jurídica de um patrimônio construído ao longo de gerações. Quando represento legalmente investidores internacionais no Brasil, a minha principal missão é construir pontes de confiança. O capital estrangeiro é notoriamente avesso ao risco institucional; ele flui para onde encontra estabilidade, transparência e lideranças locais capazes de garantir a segurança do investimento.
Portanto, liderar o Grupo International significa ser a fiadora dessa estabilidade. Significa garantir que, independentemente do ruído político ou das oscilações do mercado local, as fundações jurídicas das empresas que represento permaneçam inabaláveis.
Menos ruído, mais legado: O verdadeiro papel da liderança
Acredito genuinamente que a nossa maior responsabilidade como alta liderança hoje, perante a sociedade, é a manutenção da integridade das organizações. Empresas robustas, protegidas por uma forte governança e por uma gestão de riscos eficiente, não apenas protegem a riqueza de seus acionistas. Elas geram empregos estáveis, fomentam a inovação, atraem o capital internacional que movimenta bilhões e sustentam a espinha dorsal da economia real.
O mercado global é meritocrático na sua essência mais fria: ele não perdoa o amadorismo e cobra um preço altíssimo pelo excesso de exposição sem lastro. O declínio de grandes marcas e o colapso de impérios empresariais quase sempre começam com a negligência dos bastidores em prol do brilho do palco.
Chegar ao topo e sustentar a cadeira de um conselho administrativo de multinacionais exige uma saúde mental inabalável, uma capacidade contínua de antifragilidade e, acima de tudo, a coragem de ser o contraponto técnico em salas onde você, muitas vezes, é a única voz feminina.
Meu convite para os executivos, conselheiros, CEOs e empresários de alta performance que me acompanham nesta rede não é para que busquem o aplauso rápido ou o engajamento efêmero das métricas de vaidade. O meu convite é para que foquemos, obsessivamente, nas fundações.
Menos palco. Mais bastidor. No fim do dia, a história dos negócios não lembrará das narrativas que geraram mais ruído ou curtidas, mas sim das lideranças que construíram as estruturas mais profundas, éticas e resistentes ao tempo.
Como o seu conselho de administração ou a sua empresa tem se preparado estrategicamente para blindar o patrimônio, garantir a sucessão e atrair capital de forma perene diante do atual cenário macroeconômico?